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Milagre? Não, fisioterapia!

Dois anos depois do diagnóstico, muito sofrimento, dor, autoestima dilacerada, a luz no fim do túnel é cada vez mais forte e concreta.

Graças a uma das meninas que conheci através do blog, chegamos à fisioterapeuta Dra. Mônica Lopes.

Mas, peraí, fisioterapia? Pois é. Apesar dos problemas ortopédicos serem os mais famosos nesse ramo, descobri que existe a chamada Fisioterapia Uroginecológica.

Esse ramo da fisioterapia, entre outras coisas, cuida de disfunções sexuais como vaginismo, e, cada vez mais, a vulvodínia.

Há cerca de 4 meses estou me tratando, e posso dizer que é o melhor resultado que já tive. Com técnicas de dessensibilização e fortalecimento do assoalho pélvico, nossa fada-madrinha está nos ajudando a recuperar a alegria, a autoestima e a tão sonhada vida íntima 8 de nós.

A Dra. Mônica é tão, tão fofa e dedicada, que participa da nossa lista de discussão, e, além de tratar das meninas aqui Rio, encontra e indica profissionais competentes e capacitados para nossas amigas de outros estados e cidades.

Em nossa lista, está a também fisioterapeuta Dra. Aline Manta, de Salvador, sempre disposta a esclarecer dúvidas ou nos alertar quando alguém novo aparece e comenta algum tratamento inadequado.

Essa corrente do bem me fez abrir os olhos e valorizar ainda mais esses profissionais que trabalham diariamente para nos devolver o bem-estar físico. Se, por um lado, a decepção com a classe médica é indescritível, os fisioterapeutas merecem nossos maiores elogios e gratidão.

Atualmente, meu tratamento consiste em:

-Amitriptilina 25 mg /dia
-Higiene local somente com água. Sabonete líquido Eucerin PH 5 apenas 1x por semana
-Calcinhas somente de algodão,  lavadas com sabão de côco em pó
-Fisioterapia Uriginecológica 1x por semana
-Solução aquosa de lidocaína a 4 %, se a dor espontânea der as caras (que continue longe, rs) ou para relações

Posso dizer que já melhorei uns 99% da dos espontânea, e uns 65% da provocada. Fico por aqui, na certeza que a cura total está cada vez mais próxima.

Beijos a todos, e um super obrigada a todas as amigas lindas e maravilhosas que fiz aqui.

E se você ainda não faz parte do nosso grupo, sente dor em silêncio, vire esse jogo agora! Entre em contato com a gente e com os médicos e profissionais de saúde que cuidam de nós, e vá ser feliz, mulher! =)

Beijos!

 

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Parabéns para nós!

Estava olhando as estatísticas do blog, e vejam só: o Vulvodínia Tem Jeito completou ontem 1 ano de vida.

Quando criei o blog, minha intenção foi gritar minha dor ao mundo pedindo socorro; como uma mensagem dentro da garrafa jogada ao mar.

As respostas vieram em quantidade e velocidade muito maior do que eu esperava. Comecei a receber tantos comentários, que achei melhor criar logo uma lista de discussão. E aí, através das histórias de cada uma delas, eu vi que o meu caso, que eu já achava insuportável e que destroçava minha alma, era dos mais brandos. Conheci mulheres que não conseguiam usar calça justa, calcinha, andar de bicicleta, outras que sofriam de Vulvodínia há quase 20 anos, e ainda as que nunca na vida tinham experimentado uma relação sexual sem dor. Constatei que ainda vivemos num mundo ainda predominantemente machista, de mulheres sofrendo caladas, de profissionais incompetentes, picaretas e desinformados.

Atualmente nosso grupo de email tem cerca de 30 mulheres, e, unidas, chegamos aos profissionais certos. Algumas estão totalmente curadas, outras melhoraram muito, outras melhoraram um cadinho só.

Mas nenhuma está com o quadro parado ou regrediu.

Agradeço à vida, à tecnologia, e demonstro minha gratidão compartilhando essa bênção com todas que têm sua vida mutilada com a vulvodínia.

Estamos colocando aos poucos a lista dos médicos e profissionais de saúde que nos têm ajudado .

OBS. O Blog hoje está na marca da 10.000 visitas. Levando em consideração que no grupo somos apenas 30, eu imagino quantas não tiveram coragem de entrar em contato. Por isso faço um apelo: NÃO SOFRA CALADA.  A gente nasceu pra ser feliz, pra desfrutar de todas as maravilhas que nosso corpo proporciona e SEM DOR. Não é normal sentir dor em toda relação. Não é normal não ser feliz!

Vulvodínia TEM JEITO!

🙂

Beijos e muito obrigada.

Vamos pra frente, que pra trás não dá mais.

Olá, pessoas.

Tudo bem?

Demorei e muito a voltar aqui, eu sei.

Foi mais um período de gangorra, aparentes melhoras e gritantes pioras, e assim sucessivamente.

Porém, desistir jamais!

Voltei à minha GO. Fofa e atenciosa como sempre, me passou um novo pacotão de medidas. Como ela cuida de mim desde que eu tenho 16 anos e conhece bem meu organismo, para ela, a minha vulvodínia está atrelada a algum fator hormonal. Olhando a minha ficha, eu sempre me queixei de um pequeno ardor vaginal no período pré-menstrual e quando tentei alguns anticoncepcionais. Digo “minha”, pois a Vulvodínia continua sendo um dos grandes enigmas da medicina, e, apesar dos sintomas serem os mesmos em milhares de mulheres mundo afora, as causas são as mais variadas e inexplicáveis.

Então, eu vou compartilhar com vocês o que ela me recomendou e receitou:

-Nova tentativa com o antidepressivo Pamelor, dessa vez com uma dosagem maior. Antes eu estava tomando 25mg, aumentamos para 75mg, divididos em 2 x ao dia: um comprimido de 50mg e outro de 25mg.

Inicialmente, minha intenção era pedir a Gabapentina, medicamento que deu ótimos resultados com algumas das meninas do grupo de email. Porém, ela acha que é uma medicação um tanto quanto forte, e preferiu tentar novamente o antidepressivo, e se, até 6 meses eu não tiver resultado nenhum, partiremos pra “Gabinha”, como é carinhosamente chamada pelas meninas.

-Passar a lavar lá com água mineral. A água atualmente está com muito cloro e isso pode irritar mais. No meu caso específico, eu sempre tive uma acidez local bem forte por natureza, então, devo procurar as águas com maior concentração de bicarbonato e fazer duchas com bicarbonato diretamente.

-Usar absorvente interno: pois é, por mais que seja incômodo por conta da dor, com OBs da vida, evitamos o contato direto do sangue cheio de hormônio com o canal vaginal.

-Colpotrofine 3x por semana: É um creme vaginal que faz o efeito de um hormônio, sem ser: auxilia na lubrificação e fortalecimento dos tecidos locais.

-Chá de transagem. (fala-se TRANÇAGEM) Essa erva comprovadamente estimula a produçao de celulas na nossa região da mucosa, o que, como a Colpotrofine, deixa o tecido da região mais forte e mais lubrificado. Me contou que existe até um laboratório querendo desenvolver um creme à base de transagem, exatamente para Vulvodínia! A recomendação é comprar naquelas barraquinhas de erva em feira, preparar chá, deixar esfriar, e fazer compressa no local uma vez por dia, e perto de menstruar, 2 ou mais.

-Qlaira: nova pílula que chegou no Brasil. Eu estava há mais de 1 ano sem tomar anticoncepcional, justamente pelo medo do ardor piores. Mas essa tem uma fórmula que permite uma absorção mais natural pelo nosso organismo, sem causar tantos efeitos colaterais. Ela evitará as oscilações hormonais que temos naturalmente durante o ciclo. A tentativa é que, mantendo a flora local estável e sem alteração hormonal, o ardor melhore. Comecei a tomar há 3 dias, e de fato, não tive ardência ainda não notei inchaço ou ganho de peso.

-Hemograma quilométrico, que vai ver, entre outras coisas, como andam meus hormônios e a minha B12.

Ela é muito informada, e está por dentro da vulvodínia. Diz que quase nenhum médico quer se especializar/tratar porque é tudo ainda muito incerto e o que funciona pra uma nem sempre funciona pra outra, e por aí vai. As vulvodínicas que o digam!

É isso. Desculpem novamente a demora, prometo que isso não se repetirá!

Médicos ou monstros?

Creio que no juramento dos formandos de medicina, deveria constar “Nunca deixarei que o orgulho e a prepotência me ceguem”.

Foi-se o tempo em que estudantes ingressavam nessa carreira por ideal, pelo altruísmo.

Sim, imagino que dominar os mistérios do corpo humano e ter o poder de salvar vidas deva proporcionar uma sensação de poder e superioridade.  Mas se esse é o barato da coisa pra eles, deveriam sempre se manter atualizados e de ouvidos bem abertos para continuarem superiores, e uau, quem sabe, serem pioneiros em novas descobertas.

Desde que comecei a me corresponder com as outras “vulvodínicas”, me espanto cada dia mais com a conduta da maioria dos ginecologistas em relação ao nosso problema.

De todas as 7 que agora somos, eu fui a única sortuda de ter sido diagnosticada com vulvodína pela própria ginecologista, de cara.

Todas pasaram por imensa peregrinação, fugindo de “médicos” que queriam entender mais das próprias dores do que elas, insistindo na falta de lubrificação, remédios para candidíase (mesmo quando não as detectavam em exame ginecológico), e até mesmo levantando o fator “frescura”.  Tudo isso é ainda mais absurdo quando percebemos que a maioria dos profissionais consultados eram mulheres. Uma delas chegou ao cúmulo, ao absurdo,  de recomendar que a paciente tomasse um copinho de vinho para relaxar.

Doutores: nós sofremos.

O fato de desconhecerem a causa dos sintomas, não os anula ou os torna menos importantes. Se você receitou um tratamento, e ele não funcionou, por favor… pelo seu juramento, pela sua vocação, pela sua reputação: pesquise. Muitas vezes as maiores dores acabam por ser as colaterais, disparadas pela desesperança, desorientação e principalmente descaso.

Não tenha vergonha de dizer que não sabe, mas que pode vir a saber. Ou indicar outro profissional.

Se os pacientes a seus olhos passaram a ser números, pensem pelo menos que esse número se multiplicará caso a cura aconteça.

Pro pessoal que acompanha o blog, atualizei o “about” que estava em branco desde a inauguração do blog. Disponibilizei lá também o endereço do grupo de email para quem quiser participar.

Beijos

Dia dos Namorados x Vuldodínia: TENSO

Ontem foi o dia mais esperado do ano para a maioria das mulheres comprometidas desse país. Para nós, vulvodínicas, foi só um reforço do nosso problema esfregado na cara.

Como bem disse uma leitora por email, com a Vulvodínia você acaba como mulher.

E é verdade. Até a vaidade fica afetada. Acho que no fundo a gente pensa: vou ficar bonita, cheirosa, gostosa, pra que? Não vou conseguir fazer nada mesmo. É uma sensação de viver pela metade, viver sem sal, praticamente uma condenação à solidão. A gente se sente incompetente, incapaz de seduzir e causar desejo.

Porém, com a microfisioterapia, essa tristeza começou a se dissolver também. Até a minha tpm foi mais branda!

Como disse, eu só fiz uma sessão. A tristeza melhorou, a libido está voltando, mas ainda sinto as dores.

Mas até que consegui um dia dos namorados muito legal!

Sabe, tem horas que a gente tem que enfrentar. Fiz o que não fazia há meses, quiçá mais de um ano.

Botei aqueeeeela lingerie preta, me maquiei, passei um creme delicioso, um perfume maravilhoso, e fiz surpresa pro meu namorado.

Curtimos muito muito, mesmo sem penetração. Relaxei, e procurei aproveitar o momento sem pensar em nova tentativa, e pensei que melhor seria uma noite cheia de preliminares divertidas que uma tentativa possivelmente dolorosa e triste.

E foi super legal, viu?

Não se cobrem e curtam o que tem pra hoje, na certeza que amanhã será melhor. Mas amanhã só chega depois. 🙂
Beijos e até a próxima!

E eu começo a ficar boa…

Cantem os anjos, rufem os tambores, abram-se as cortinas!

Eis que encontro A LUZ!

Um dia descubro, através de um grande amigo meu, uma coisa chamada microfisioterapia.

Por questões também sexuais dele, que não vêm ao caso, a psicóloga que o acompanha indicou este tratamento.
Quando soube, meu coração se encheu de esperança e bons pressentimentos.

Mas o que vem a ser isso?

Vamos lá!

Primeiramente vale ressaltar que este é um tipo de especializaçao que pode ser feita somente por médicos ou fisioterapeutas.

É uma técnica desenvolvida na França, que acha no corpo diversos nós – basicamente emocionais – que começam a ser somatizados, causando os mais diversos males ao nosso corpo. Através de toques específicos no nosso corpo, os traumas são identificados, e nos é informado o que e quando aconteceram (assustador, você se sente numa consulta com vidente!), e utilizando-se ainda destes toques, eles começam a reprogramar o  seu organismo, colocando-o em estado de auto-cura.

Esses profissionais conseguem localizar marcas até mesmo embrionárias ou pré-gestacionais, coisas que eram da sua mãe, pouco antes de engravidar.

É bem diferente de tudo que você já viu, com certeza. Eu fui a primeira sessão agora em Maio, com o profissional indicado pela psicóloga do meu amigo.

E o melhor de tudo: ELE SABIA O QUE ERA VULVODÍNIA. Não fez aquela cara de “AHN?” ou confundiu com vaginismo, etc…

O alívio e conforto que senti ao ouvir e ver sua resposta e expressão calmas e seguras sobre o assunto foi inexplicácel.

-Conheço sim, claro. Vulvodínia é um tipo de alodínia, na região vulvar…
E prosseguiu explicando as diversas causas que isso pode ter.

É como uma mistura de medicina com psicologia, incrível. Ele disse que eu precisarei de 3 a 4 sessões. A primeira foi mais para mapear todas as minhas questões, mas ele já começou uma leve reprogramação.

Agora, às vésperas da próxima sessão, estou muito feliz e confiante mesmo. A minha libido aos poucos foi voltando, voltando, a ponto de eu pensar “Nossa! EU ERA ASSIM E TINHA ESQUECIDO”.

Como é bom sentir desejo, vontade, tesão, e como isso é extremamente importante no reconhecimento de nossa feminilidade.

Sempre adorei sexo, sempre fui estilo insaciável, e essa situação pirou minha cabeça legal, a ponto de eu quase aceitar e me conformar em ficar daquele jeito pra sempre.

Sim, eu tentei novamente, e ainda senti dores. Diria que doeu uns 10% menos, mas não fiquei mais desesperada, até porque ele me disse que não seria de uma hora pra outra. Mas dane-se, a tentativa foi frustrada, mas eu continuei querendo, com vontade, e dessa vez consegui fazer mil outras alternativas com meu namorado. Sinto plenamente que agora é só questão de tempo.

E como os dias começaram a ficar mais coloridos… 🙂

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Sobre a microfisioterapia, vocês podem ter mais informações na Wikipedia ou no site www.microfisioterapia.org

Na lista de “profisisonais”, você localiza pessoas no Brasil todo. Caso queira ir no meu – já que está dando certo – é só me pedir pelo espaço de comentários que eu passo o contato.

BEIJOS, e até a próxima!

Cuidando da alma

Tenho certeza que o meu caso é emocional.

Todos os exames possíveis já foram feitos, e justamente quando tomei  o antidepressivo foi que mais deu resultados até então.

Pesquisei muito então, sobre métodos alternativos de tratamento de doenças emocionais. Descobri que em alguns países como a Alemanha, só se tratam esses problemas com medicina alternativa. A depressão, por exemplo, é curada com cromoterapia, florais e atividade como jardinagem.

Me ocorreu então, a ideia de procurar florais ou acupuntura. Florais são extratos feitos a partir de determinadas flores. Eles não tratam o sintoma, e sim a pessoa. É totalmente voltado para questões emocionais e psicossomáticas. Há muita polêmica sobre este tratamento, muitas pessoas o rotulam como placebo.

Alguns anos atrás, eu havia tomado florais para outras questões emocionais, (bem mais brandas é verdade) e havia sentido uma diferença incrível. Resolvi testar de novo. E fiquei totalmente encorajada quando li relatos de mulheres que curaram suas dispareunias justamente com florais.

Recebi a indicação de um clínico geral que trabalhava com estas essências, o que é raro, pois os florais são duramente rejeitados pela medicina alopática tradicional. Uma amiga havia tido excelentes resultados com controle de ansiedade e pensamentos obsessivos com este mesmo médico. Fui de corpo e alma.

Por alguns dias eu me senti melhor, mas logo depois todos os sintomas pioraram, além de uma extrema irritação. Era como viver numa constante TPM. O médico era muito atencioso, ligava, se propunha a prescrever novos florais, mas depois de tantas mil tentativas frustradas, eu fiquei super agoniada, cortei tudo e não liguei mais pra ele.

Talvez vocês se questionem por que eu coloco essas tentativas que não deram certo. Ora, cada mulher é diferente da outra. E aquilo que não deu certo comigo pode perfeitamente funcionar para muitas de vocês!

A acpuntura ainda faltou ser testada. Aliás, morri de rir em um site que achei, contando sobre mulheres que trataram a frigidez e dispareunia com acupuntura, onde havia bem grande a informação de que as as agulhas não eram introduzidas na vagina! COMO ALGUÉM PENSA UMA COISA DESSAS? Pelamor!

Outra coisa que eu fiz, foi voltar pra terapia. Porém, creio que o mais adequado seria uma terapia focada, e eu estou agora à procura de um profissional que trate exclusivamente de problemas sexuais. Aliás, aceito indicações!

Abraços, e até a próxima.