Arquivo da categoria: Vulvodínia e o relacionamento

Notícias de uma mulher muito FELIZ.

E aí galeren?

Quase 2 anos de blog e 1 ano de fisioterapia depois, cá estou!

MUITO MUITO MUITO melhor.

A dor espontânea não existe mais. Foi-se para sempre. Nem na menstruação, nem no período pré, NADA.

EEEEEEEEEE

A localizada/provocada reduziu bastante, já consigo ter relações novamente, às vezes com um pouquinho do anestésico tópico indicado pela minha médica, e às vezes sem nada mesmo.  O início da penetração continua incomodando um pouco, mas com jeitinho, carinho e muita vontade tudo se resolve.

Mas o durante e o depois já estão totalmente indolores. 🙂

Minha lidibo voltou aos dias de furacão, e às vezes mal consigo me concentrar no trabalho tamanho é o fogo! hahaha

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Agora a frequência da fisio é mais espaçada, quinzenal.

Com isso, sobra uma graninha, e consegui voltar pra minha terapia com minha psicóloga/sexóloga. O trabalho agora é apagar as marcas e feridas desses 3 anos em que tive minha vida íntima totalmente revirada.

O que eu passei não desejo pra ninguém.

Sexualidade revirada, auto-estima abaixo de zero, libido que por um momento que nunca mais voltaria. Meses a fio sem ter vontade nem mesmo de me tocar. Agora que tudo passou, posso até falar: houve um momento em que eu pirei a ponto de achar que eu podia simplesmente ter deixado de gostar de homem.

Recovering from Lessons Learned reduced

Só de lembrar de tudo que passei meu olho enche d’água e é isso que não quero mais sentir. Não quero sentir pena de mim, me vitimizar. Quero olhar pra isso tudo sem sofrer, com orgulho da minha força, persistência e sentir apenas a felicidade que vem quando vejo o bem que esse blog fez também a muitas mulheres. Hoje, já somos 90 no grupo de email, e tenho sempre pelo menos 3 pedidos de ajuda semanais aqui no blog.

Fiz grandes amigas, fomos unidas pela mesma dor, o que confere um laço quase sanguíneo.

E a melhora é generalizada, viu? Duas, inclusive, retomaram tão bem sua vida sexual que engravidaram! Ironia do destino: ambas esperam meninas. Essas que terão as mães mais preocupadas com sua vida sexual que já se viu na história desse país! hahaha

Só para recapitular, o meu tratamento já há 1 ano é:

-Amitriptilina 50mg (em breve irei conversar com minha médica sobre reduzir e cortar a medicação)
-Fisioterapia uroginecológica quinzenalmente
-Higiene local somente com água
-Absorvente interno na menstruação
-Dormir sem calcinha (eles adooooram hahaha)

É isso. Agora fico naqueles últimos 3 quilos da dieta. A maior parte já se foi, mas tem essa reta final que vai embora mais lentamente, que incomoda menos, mas ainda incomoda.

Desculpem a ausência, mas eu ando muito ocupadinha sendo FELIZ! 😀

E lembrando, gente:

1. Sentir dor NÃO é normal

2. JAMAIS faça auto-diagnóstico ou auto-medicação

3. Ali em cima, no menu superior do blog, tem a seção “com quem tratar”. Ali estão listados os profissionais de saúde que tem nos ajudaro Brasil afora. (tem uma de Portugal também!)

 

Beijos mil!

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Dia dos Namorados x Vuldodínia: TENSO

Ontem foi o dia mais esperado do ano para a maioria das mulheres comprometidas desse país. Para nós, vulvodínicas, foi só um reforço do nosso problema esfregado na cara.

Como bem disse uma leitora por email, com a Vulvodínia você acaba como mulher.

E é verdade. Até a vaidade fica afetada. Acho que no fundo a gente pensa: vou ficar bonita, cheirosa, gostosa, pra que? Não vou conseguir fazer nada mesmo. É uma sensação de viver pela metade, viver sem sal, praticamente uma condenação à solidão. A gente se sente incompetente, incapaz de seduzir e causar desejo.

Porém, com a microfisioterapia, essa tristeza começou a se dissolver também. Até a minha tpm foi mais branda!

Como disse, eu só fiz uma sessão. A tristeza melhorou, a libido está voltando, mas ainda sinto as dores.

Mas até que consegui um dia dos namorados muito legal!

Sabe, tem horas que a gente tem que enfrentar. Fiz o que não fazia há meses, quiçá mais de um ano.

Botei aqueeeeela lingerie preta, me maquiei, passei um creme delicioso, um perfume maravilhoso, e fiz surpresa pro meu namorado.

Curtimos muito muito, mesmo sem penetração. Relaxei, e procurei aproveitar o momento sem pensar em nova tentativa, e pensei que melhor seria uma noite cheia de preliminares divertidas que uma tentativa possivelmente dolorosa e triste.

E foi super legal, viu?

Não se cobrem e curtam o que tem pra hoje, na certeza que amanhã será melhor. Mas amanhã só chega depois. 🙂
Beijos e até a próxima!

Como descobri a Vulvodínia

Tenho 28 anos, e há cerca de 1 ano e meio comecei a sentir fortes dores vaginais ao ter relações com meu namorado, até chegar ao ponto de simplesmente não conseguir mais nem tentar.

Não era uma dor de pressão, ou como se fosse aquela dorzinha sacana de perda da virgindidade. Era (e ainda é) uma terrível sensação de ardor e queimação, como se o pênis do meu namorado tivesse se transformado numa brasa.

Depois de todos os exames feitos, constatou-se que não se tratava de nenhuma inflamação ou qualquer pereba que fosse. E foi durante um desses exames, que minha médica, estarrecida com o grito que dei quando ela encostou um mísero pedaço de algodão em meu canal vaginal, diagnosticou:

-Isso é Vulvodínia…

-Vulvo… o quê?

-Vulvodínia.

No começo fiquei confusa e não perguntei sobre o tratamento de imediato. Achei que esse troço pudesse passar sozinho, afinal, assim tinha sido seu surgimento, sozinho e do nada.

As semanas passavam e a dor só aumentava. Doía antes, durante, e DEPOIS! Ficava umas 3 horas sentindo tudo arder como se estivesse em carne viva. E claro, acabou que isso tirou totalmente a naturalidade dos nossos momentos a dois, derrubou minha libido a quase zero, e todas as tentativas passaram a terminar comigo aos prantos sendo consolada e acalmada pelo namorado. Comecei a ter medo de qualquer aproximação dele.

Eu queria voltar a ser eu, me queria de volta. Sempre tive uma vida sexual normal. Tinha uma libido nas alturas, pra mim toda hora era hora e eu sempre queria mais.

Resolvi encarar e marquei nova consulta, até porque a essa altura eu já tinha esquecido o nome feio e complicado do que minha médica disse que eu tinha.

Novo exame, reafirmação do diagnóstico e um nome que eu nunca mais esqueceria: Vulvodínia.